Nos últimos dias, profissionais e pesquisadores da área da saúde voltaram a atenção para a Índia. O motivo é um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental. Após a confirmação de casos entre médicos e enfermeiros, quase 100 pessoas entraram em quarentena.
Com a pandemia de Covid-19 ainda recente, o avanço do vírus gerou preocupação global. Por isso, muitas pessoas passaram a questionar se existe risco de o Nipah chegar ao Brasil.
Há risco de o vírus Nipah chegar ao Brasil?
Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que a entrada do vírus no país é possível. Um viajante infectado pode, eventualmente, desembarcar em território brasileiro. No entanto, os mesmos especialistas destacam que o risco de disseminação é considerado baixo.
Isso ocorre porque o vírus possui características específicas de transmissão. Dessa forma, ele não se espalha com a mesma facilidade de outros agentes infecciosos respiratórios.
Como ocorre a transmissão do vírus
O vírus Nipah circula, principalmente, entre morcegos do gênero Pteropus, conhecidos por se alimentarem de frutas. A transmissão para humanos acontece por meio do consumo de alimentos contaminados ou pelo contato direto com secreções de pessoas infectadas.
Além disso, o vírus não apresenta alta capacidade de transmissão comunitária. Isso reduz significativamente o risco de surtos fora das regiões endêmicas.
Por que a Índia registra mais casos?
De acordo com o infectologista Benedito Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e consultor da Sociedade Paulista de Infectologia, os morcegos que hospedam o vírus têm ampla distribuição pela Ásia.
Segundo o especialista, surtos frequentes ocorrem em países como Bangladesh devido a hábitos culturais. Um exemplo é o consumo da seiva in natura da tamareira, alimento muito popular na região.
“O problema é que essa seiva costuma estar contaminada pela saliva de morcegos, que também se alimentam do líquido”, explica Fonseca.
Transmissão entre pessoas é limitada
O infectologista ressalta que a transmissão entre humanos é baixa. Para que isso ocorra, é necessário contato muito próximo com secreções corporais da pessoa infectada.
Por esse motivo, o especialista avalia que o vírus Nipah não apresenta, no momento, potencial para causar uma nova pandemia. Ainda assim, autoridades de saúde seguem monitorando os casos de perto.
Fonte: Redação
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