A morte súbita do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, reacendeu nas redes sociais o debate sobre sinais físicos que podem indicar problemas cardíacos. Horas antes de morrer, ele publicou um vídeo em seu haras, em Ouro Preto (MG). Depois do ocorrido, internautas passaram a comentar a presença do chamado sinal de Frank em imagens do influenciador.
A marca consiste em uma prega diagonal no lóbulo da orelha. A cardiologia estuda esse sinal há décadas. No entanto, especialistas alertam: a dobra não confirma diagnóstico, mas pode funcionar como um alerta.
O QUE É O SINAL DE FRANK?
O médico Sanders T. Frank descreveu o sinal pela primeira vez em 1973. Ele observou a prega em pacientes com angina e levantou a hipótese de associação com doença arterial coronariana.
Segundo o professor Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da unidade clínica de hipertensão do Incor, o sinal aparece como uma dobra que vai do trago até a borda posterior do lóbulo. Quando forma um ângulo próximo a 45 graus e apresenta profundidade maior, a correlação com doença coronariana se torna mais consistente.
Ainda assim, o especialista reforça que o sinal deve servir como rastreio inicial. Ou seja, ele aumenta a probabilidade de risco, mas não determina a presença da doença. Além disso, a ausência da marca não descarta problemas cardíacos.
QUANDO O SINAL GANHA IMPORTÂNCIA?
De acordo com Bortolotto, o sinal tem maior utilidade em pessoas sem sintomas. Nesses casos, ele pode incentivar investigação precoce de fatores de risco, como colesterol alto, hipertensão e diabetes.
Já o cardiologista Eduardo Gomes Lima, membro da Socesp, classifica o sinal como ferramenta de triagem. Ele destaca que a identificação é simples e não gera custos. Porém, não substitui exames específicos.
Na prática, médicos podem solicitar exames como escore de cálcio ou doppler de carótidas quando identificam outros fatores associados. Portanto, o sinal funciona como ponto de partida, não como diagnóstico definitivo.
HÁ CONSENSO ENTRE OS MÉDICOS?
Nem todos os especialistas atribuem peso significativo ao sinal no dia a dia clínico. O cardiologista Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, afirma que as diretrizes nacionais e internacionais não utilizam o sinal de Frank como critério rotineiro de decisão médica.
Ele explica que estudos apresentam variações estatísticas relevantes. Essa oscilação compromete a reprodutibilidade dos dados. Assim, médicos priorizam fatores tradicionais de risco cardiovascular.
Entre eles estão colesterol elevado, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar positivo. Esses elementos, segundo os especialistas, oferecem base mais sólida para avaliação.
O QUE DIZEM OS ESTUDOS?
Pesquisas internacionais apontam associação estatística entre a prega no lóbulo e maior risco cardiovascular. Um estudo publicado no The American Journal of Medicine, com 1.050 adultos, identificou risco moderado a alto em 58% das pessoas com pregas bilaterais completas. Entre indivíduos sem a marca, o índice caiu para 23,8%.
A Stanford Medicine também analisa o fenômeno. Uma das teorias sugere que a dobra pode refletir alterações microvasculares, já que o lóbulo possui artérias terminais sensíveis a processos ateroscleróticos.
Apesar disso, especialistas mantêm cautela. Eles reconhecem a correlação, mas reforçam que a marca não substitui avaliação clínica completa.
MARCA NÃO É SENTENÇA
O consenso médico aponta para um ponto central: o sinal de Frank pode indicar alerta, mas não define diagnóstico. Portanto, quem identifica a prega no lóbulo deve procurar avaliação médica, principalmente se apresentar outros fatores de risco.
A prevenção continua como principal estratégia. Controle de pressão arterial, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e abandono do cigarro reduzem significativamente as chances de infarto.
Em resumo, a orelha pode dar um sinal. Porém, quem define o risco real é o conjunto de exames, histórico clínico e hábitos de vida.
Fonte: Redação
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