O câncer de próstata segue como um dos principais desafios da saúde masculina no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), um homem morre a cada 38 minutos em decorrência da doença, que figura entre os tumores mais frequentes no público masculino, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Diante desse cenário, estudos passaram a investigar se hábitos do cotidiano, como a frequência da ejaculação, poderiam influenciar o risco de desenvolver a doença.
O papel da próstata no organismo masculino
A próstata é uma glândula pequena, com cerca de 20 gramas e formato semelhante ao de uma castanha. Localizada logo abaixo da bexiga, ela desempenha função essencial no sistema reprodutor masculino, já que, juntamente com as vesículas seminais, participa da produção do sêmen — fluido responsável por transportar os espermatozoides durante a ejaculação.
Justamente por essa ligação direta com o processo ejaculatório, pesquisadores começaram a analisar se a frequência da ejaculação poderia exercer algum efeito protetor contra o câncer de próstata.
O que dizem os estudos científicos
Entre as pesquisas mais relevantes está um estudo conduzido pela Escola de Saúde de Harvard e publicado em 2022. Os pesquisadores acompanharam, desde 1986, um grande grupo de voluntários, coletando informações detalhadas sobre a frequência de ejaculação ao longo da vida.
Os resultados não apontaram aumento do risco de câncer de próstata entre homens com maior frequência ejaculatória. Pelo contrário: os dados indicaram uma possível redução do risco. Homens que relataram 21 ou mais ejaculações por mês apresentaram um risco 31% menor de desenvolver o tumor, em comparação com aqueles que ejaculavam entre quatro e sete vezes mensais. Além disso, os achados permaneceram consistentes mesmo após ajustes estatísticos que consideraram fatores como estilo de vida e realização de exames de PSA.
Possíveis explicações biológicas
De acordo com o médico oncologista Denis Jardim, líder nacional de tumores urológicos do Grupo Oncoclínicas, uma das hipóteses é que a ejaculação frequente ajude a reduzir a concentração de toxinas e a formação de cristais na próstata. Esses acúmulos, ao longo do tempo, poderiam contribuir para o desenvolvimento do câncer.
Além disso, a ejaculação pode exercer influência positiva sobre o sistema imunológico. Segundo o especialista, de 11 estudos já publicados sobre o tema, sete apontaram algum efeito benéfico da frequência ejaculatória. Ainda assim, ele ressalta que a ciência não compreende totalmente como essa relação varia conforme a fase da vida.
“Alguns trabalhos sugerem que a maior frequência pode ser mais protetiva em homens mais jovens, entre 20 e 40 anos, período associado ao desenvolvimento e à maturação da glândula prostática”, explica o oncologista.
Existe uma frequência ideal?
Apesar da repercussão dos estudos, especialistas alertam que não há consenso científico nem recomendações oficiais sobre um número ideal de ejaculações para prevenir o câncer de próstata. Embora pesquisas mencionem parâmetros como 21 ejaculações mensais ou de cinco a sete por semana, esses dados servem apenas como base para hipóteses.
Segundo Denis Jardim, esses números ainda não aparecem em manuais de oncologia ou diretrizes médicas. Portanto, não devem ser interpretados como uma forma definitiva de prevenção.
Hábitos saudáveis e prevenção continuam essenciais
Embora a possível relação entre ejaculação e menor risco de câncer de próstata desperte interesse, médicos reforçam que a prevenção comprovada da doença está ligada, principalmente, a hábitos de vida saudáveis. Não fumar, praticar atividade física regularmente e manter uma alimentação equilibrada continuam sendo fatores fundamentais para reduzir o risco de diversos tipos de câncer.
Além disso, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens procurem um urologista para avaliação da próstata a partir dos 50 anos. Para aqueles com histórico familiar da doença — como pai, irmão ou tio —, o acompanhamento deve começar aos 45 anos, devido ao risco aumentado.
Em resumo, embora a ciência avance na compreensão do tema, a ejaculação frequente não substitui o acompanhamento médico nem os cuidados preventivos já consolidados. Informação, hábitos saudáveis e diagnóstico precoce seguem como os principais aliados da saúde masculina.
Fonte: Redação
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