Hábito comum aumenta o risco de depressão, veja

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Fumar não afeta apenas os pulmões. Além disso, o tabagismo também pode comprometer a saúde mental. Um estudo liderado por pesquisadores alemães aponta que fumantes atuais e pessoas que deixaram o cigarro recentemente apresentam maior risco de desenvolver depressão em comparação com quem nunca fumou.

Segundo os pesquisadores, esse risco se mostra ainda mais elevado entre pessoas com idade entre 40 e 59 anos. Dessa forma, a pesquisa reforça a relação já conhecida entre o hábito de fumar e transtornos mentais, mas traz novos detalhes sobre intensidade e tempo de exposição ao cigarro.

Relação entre quantidade de cigarros e depressão

De acordo com o estudo, existe uma ligação direta entre o número de cigarros consumidos diariamente e a gravidade dos sintomas depressivos. Quanto maior o consumo, mais intensos se tornam os sinais da doença. Para cada cigarro a mais fumado por dia, houve um aumento médio de 0,05 ponto na escala de sintomas depressivos.

Além disso, os pesquisadores observaram que o início tardio do tabagismo também influencia o surgimento da depressão. Nesse sentido, cada ano de atraso para começar a fumar adiou, em média, em 0,24 ano o primeiro episódio depressivo.

Estudo analisou mais de 170 mil pessoas

O trabalho foi conduzido pelo Instituto Central de Saúde Mental, na Alemanha, e publicado na revista científica BMC Public Health em dezembro. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados de mais de 170 mil pessoas, com idades entre 19 e 72 anos.

Os dados vieram da Coorte Nacional Alemã, considerada o maior estudo de saúde já realizado no país. Durante a análise, os participantes foram divididos em três grupos: não fumantes, ex-fumantes e fumantes atuais.

Faixa etária concentra maior risco

Após cruzar informações sobre tempo de consumo e quantidade de cigarros, os pesquisadores identificaram que o risco de depressão se manteve mais elevado entre fumantes atuais e ex-fumantes recentes. Esse padrão, no entanto, apareceu de forma mais acentuada entre pessoas de 40 a 59 anos.

Segundo os autores, fatores temporais podem influenciar essa relação. Assim, além dos aspectos sociais, a duração do hábito e o momento de interrupção do cigarro parecem ter impacto direto na saúde mental.

Parar de fumar reduz episódios depressivos

Apesar dos resultados preocupantes, o estudo também trouxe uma constatação positiva. Quanto maior o tempo desde que a pessoa parou de fumar, menor foi a ocorrência de novos episódios depressivos e de sintomas associados à condição.

Dessa forma, os pesquisadores reforçam que abandonar o cigarro pode trazer benefícios não apenas físicos, mas também psicológicos ao longo do tempo.

Limitações da pesquisa

Por fim, os autores destacam que a análise considerou apenas o uso de cigarros convencionais. Portanto, estudos futuros devem avaliar se o mesmo efeito ocorre com outros produtos derivados do tabaco.

Enquanto isso, os resultados fortalecem o alerta sobre os impactos do tabagismo na saúde mental e reforçam a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e ao abandono do hábito.

Fonte: Redação

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