Garrafas plásticas podem virar remédio para grave doença, veja

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Garrafas plásticas descartadas podem virar matéria-prima para a produção de medicamentos, segundo estudo publicado nesta segunda-feira (16/3) na Nature Sustainability.

A pesquisa mostra que resíduos de plástico do tipo PET — material usado em garrafas e embalagens — podem se transformar em L-DOPA, um dos principais remédios usados no tratamento da Doença de Parkinson.

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo conduziram o estudo e utilizaram bactérias geneticamente modificadas para transformar moléculas derivadas do plástico em compostos usados na produção do medicamento. Além disso, os autores destacam que a técnica reaproveita resíduos plásticos como matéria-prima para substâncias farmacêuticas importantes. Dessa forma, o método pode contribuir tanto para reduzir a poluição quanto para criar novas rotas industriais.

Plástico convertido em L-DOPA

Primeiramente, o processo começa com a quebra do plástico PET em moléculas menores. Entre elas, aparece o ácido tereftálico, um dos principais componentes desse material. Em seguida, os cientistas utilizam bactérias Escherichia coli modificadas em laboratório.

Além disso, os pesquisadores inserem genes nesses microrganismos e criam uma rota biossintética eficiente. Assim, as células passam a transformar o composto derivado do plástico em L-DOPA por meio de várias etapas químicas.

Nos testes realizados em laboratório, o método produziu cerca de 5 gramas de L-DOPA por litro. Ao mesmo tempo, os cientistas comprovaram que o processo funciona não apenas com matéria-prima industrial, mas também com plástico retirado de garrafas descartadas.

Como a L-DOPA age no organismo

A L-DOPA representa o tratamento mais eficaz para controlar os sintomas motores do Parkinson. No organismo, o medicamento se transforma em dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

Quando os níveis dessa substância diminuem no cérebro, surgem sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão. Por isso, médicos utilizam a L-DOPA há décadas como base do tratamento para milhões de pacientes em todo o mundo.

Transformar lixo em solução

Além da aplicação médica, o estudo aponta um novo caminho para o reaproveitamento de resíduos. Atualmente, grande parte do PET produzido globalmente acaba em aterros sanitários ou no meio ambiente.

Nesse contexto, os cientistas propõem o uso de microrganismos para transformar esse material em produtos de maior valor, como medicamentos. Dessa maneira, essa estratégia se encaixa no conceito de economia circular, que busca reaproveitar resíduos em novos processos produtivos.

Por fim, os autores ressaltam que a técnica ainda está em fase inicial. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ainda precisam aumentar a eficiência do processo antes de levá-lo para escala industrial.

Fonte: Redação

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