Durante anos, especialistas apontaram a carne vermelha como possível fator de risco para o aumento do açúcar no sangue e para o desenvolvimento de diabetes. Ao mesmo tempo, o frango passou a ser visto como alternativa mais saudável. No entanto, um estudo recente voltou a colocar o tema em debate e indicou que as diferenças podem ser menores do que se imaginava.
Pesquisadores analisaram os efeitos do consumo de frango e carne bovina em pessoas com pré-diabetes. Os resultados mostraram que, pelo menos a curto prazo, os dois tipos de proteína apresentaram impactos semelhantes nos marcadores metabólicos.
O estudo foi publicado na revista científica Current Developments in Nutrition e envolveu cientistas da Universidade de Indiana e do Instituto de Tecnologia de Illinois.
COMO O ESTUDO FOI REALIZADO
Os pesquisadores acompanharam 24 adultos com pré-diabetes. Durante quatro semanas, os participantes consumiram diariamente carne bovina magra ou frango não processado. Em seguida, trocaram o tipo de proteína por mais quatro semanas.
Nesse período, a alimentação incluiu pratos comuns, como:
- Hambúrgueres
- Carnes grelhadas
- Burritos de frango
- Ensopados
- Refogados
Posteriormente, os cientistas avaliaram diversos indicadores de saúde, entre eles:
- Níveis de glicose no sangue
- Resposta à insulina
- Função do pâncreas
- Atividade das células beta
Os resultados não mostraram diferenças significativas entre o consumo de frango e carne bovina nesses marcadores.
RISCO DE DIABETES
Segundo os pesquisadores, o objetivo principal foi entender se a carne bovina poderia prejudicar o funcionamento das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
Os dados não indicaram piora nesses indicadores. Dessa forma, o consumo moderado de carne bovina não demonstrou aumento do risco de diabetes no curto prazo.
Ainda assim, os cientistas destacaram limites importantes. O estudo analisou apenas carne bovina não processada e avaliou os participantes por um período relativamente curto.
Por isso, os resultados não se aplicam a alimentos como:
- Bacon
- Salsicha
- Embutidos
- Fast food
Esses produtos já foram associados a piores resultados de saúde em pesquisas anteriores.
O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS
Especialistas que não participaram da pesquisa ressaltaram a necessidade de estudos mais longos. Além disso, defenderam amostras maiores e com melhor equilíbrio entre homens e mulheres.
Segundo os especialistas, os resultados indicam que a carne bovina pode fazer parte de uma dieta equilibrada. No entanto, ainda não existem dados suficientes para recomendações definitivas.
QUAL É A MELHOR ESCOLHA
Embora o estudo tenha mostrado resultados semelhantes, nutricionistas continuam recomendando equilíbrio alimentar.
Uma dieta saudável deve priorizar:
- Grãos integrais
- Frutas
- Verduras
- Legumes
- Gorduras saudáveis
Nesse contexto, tanto o frango quanto a carne bovina podem ser consumidos com moderação.
O DEBATE CONTINUA
O estudo reforça que a escolha entre frango e carne bovina não depende apenas do tipo de carne. Na prática, principalmente, fatores como quantidade consumida, forma de preparo e qualidade geral da alimentação acabam influenciando muito mais nos resultados para a saúde. Além disso, é importante considerar também o estilo de vida, o nível de atividade física e os hábitos alimentares como um todo.
Por isso, o consumo equilibrado continua sendo a principal recomendação. Dessa forma, tanto o frango quanto a carne bovina podem fazer parte de uma dieta saudável quando ingeridos com moderação. Ao mesmo tempo, novas pesquisas ainda devem esclarecer com mais precisão os efeitos a longo prazo dessas proteínas na saúde, especialmente em diferentes perfis de pessoas.
Fonte: Redação
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