Pessoas que mantêm uma rotina de dormir tarde podem enfrentar riscos maiores para a saúde do coração. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (28) no Journal of the American Heart Association, indivíduos que dormem e acordam mais tarde apresentaram piores indicadores cardiovasculares ao longo do tempo.
A pesquisa analisou dados de mais de 300 mil adultos acompanhados pelo UK Biobank. Ao longo da análise, os cientistas observaram que o chamado cronotipo — a preferência natural por horários de sono — exerce influência direta sobre a saúde cardiovascular.
O que é o cronotipo
O cronotipo define se uma pessoa tende a ser mais ativa pela manhã ou à noite. No levantamento, cerca de 8% dos participantes se identificaram como claramente noturnos, enquanto quase 25% afirmaram ter perfil matutino. A maioria, no entanto, ficou em um grupo intermediário.
Impactos na saúde do coração
Para avaliar os riscos, os pesquisadores utilizaram o Life’s Essential 8, conjunto de critérios da American Heart Association que considera alimentação, atividade física, tabagismo, sono, peso corporal, colesterol, glicemia e pressão arterial.
De acordo com os resultados, pessoas com perfil noturno apresentaram 79% mais chance de registrar uma pontuação geral ruim de saúde cardiovascular. Além disso, após um acompanhamento médio de 14 anos, esse grupo teve 16% mais risco de sofrer infarto ou AVC.
Risco maior entre mulheres
Entre as mulheres, a associação se mostrou ainda mais forte. Nesse grupo, o cronotipo noturno apareceu ligado a piores indicadores cardiovasculares com maior intensidade do que entre os homens.
Relógio biológico em descompasso
Os pesquisadores explicam que o risco elevado pode estar ligado ao desalinhamento circadiano, situação em que o relógio biológico não acompanha o ciclo natural de luz e escuridão nem as exigências da rotina social.
Segundo o autor principal do estudo, Sina Kianersi, do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, esse descompasso favorece comportamentos prejudiciais. Entre eles, estão o sono insuficiente, o tabagismo e uma alimentação de pior qualidade.
Hábitos que podem reduzir o risco
Especialistas ressaltam que dormir tarde não significa, por si só, desenvolver doenças cardíacas. No entanto, hábitos associados ao cronotipo noturno merecem atenção.
Para Kristen Knutson, da American Heart Association, mudanças simples fazem diferença. Por exemplo, melhorar a qualidade do sono, evitar o cigarro e manter uma rotina saudável ajudam a reduzir os riscos. Além disso, considerar o cronotipo pode auxiliar médicos a ajustar horários de tratamentos e intervenções.
Limitações do estudo
Os autores destacam que a maioria dos participantes era branca e apresentava melhores condições de saúde do que a média da população. Por isso, os resultados podem não representar todos os grupos. Ainda assim, o estudo reforça que os horários de sono exercem impacto direto sobre a saúde do coração, especialmente com o avanço da idade.
Fonte: Redação
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