Bebidas vistas como alternativas “mais saudáveis” podem, na prática, esconder riscos relevantes ao cérebro. Um estudo publicado na revista científica Stroke revela que o consumo diário de refrigerante diet está diretamente associado a um aumento de quase 300% no risco de AVC isquêmico e também a uma maior probabilidade de desenvolvimento de demência, incluindo o Alzheimer.
Além disso, os dados indicam que os efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. Pelo contrário, o impacto alcança também funções cognitivas ao longo do tempo.
Estudo acompanhou mais de 4 mil pessoas por uma década
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Boston dentro do tradicional Framingham Heart Study (FHS). Ao todo, mais de 4 mil adultos participaram do acompanhamento por um período superior a dez anos.
Durante a análise, os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos:
- 2.888 pessoas com mais de 45 anos, avaliadas quanto ao risco de AVC
- 1.484 pessoas com mais de 60 anos, monitoradas quanto ao desenvolvimento de demência
Ao longo do estudo, os especialistas registraram 97 casos de AVC e 81 diagnósticos de demência. Em seguida, ao comparar os hábitos de consumo, os cientistas observaram que quem ingeria ao menos uma lata de refrigerante diet por dia apresentou um risco quase três vezes maior de desenvolver essas condições.
Mesmo após o controle de fatores como idade, hipertensão, diabetes, alimentação e tabagismo, a associação permaneceu significativa.
Adoçantes artificiais entram no centro do debate
De acordo com os pesquisadores, os adoçantes artificiais, principais substitutos do açúcar nessas bebidas, podem explicar parte do aumento do risco. Estudos anteriores já demonstram que essas substâncias interferem no metabolismo, alteram a microbiota intestinal e estimulam processos inflamatórios — fatores que, por consequência, afetam diretamente o funcionamento do cérebro.
Portanto, embora o refrigerante diet não contenha açúcar, ele também não pode ser considerado uma opção “livre de riscos”.
Refrigerante diet não é “caloria grátis”
Apesar de ser rotulado como diet ou zero, o consumo frequente dessas bebidas gera efeitos cumulativos ao longo do tempo, especialmente sobre o sistema nervoso. Por isso, especialistas reforçam que reduzir esse tipo de produto faz parte de uma estratégia de prevenção de doenças neurológicas.
Além disso, os próprios autores do estudo destacam a necessidade de novas pesquisas para compreender com mais precisão como os adoçantes artificiais impactam o cérebro.
Opções mais seguras para o dia a dia
Diante dos achados, profissionais de saúde recomendam priorizar alternativas mais naturais, como:
- Água
- Chás naturais
- Água aromatizada com frutas e ervas
Assim, a orientação é reduzir o consumo de bebidas industrializadas — mesmo as rotuladas como “diet” ou “zero” — e adotar opções que ofereçam menor impacto ao organismo a longo prazo.
Fonte: Redação
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