Álcool interfere no anticoncepcional? Entenda

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Beber álcool não corta diretamente o efeito do anticoncepcional hormonal. No entanto, o consumo pode facilitar falhas no uso e, consequentemente, aumentar o risco de gravidez não planejada.

A ginecologista Lisieux Nóbrega explica que o problema não está na bebida em si. Na verdade, ele surge por causa dos comportamentos associados ao consumo excessivo, principalmente em festas, feriados prolongados e eventos como o Carnaval.

“Na prática clínica, o álcool facilita o erro. A mulher esquece o horário da pílula, vomita após tomar o comprimido ou desorganiza completamente a rotina. A falha acontece pelo uso irregular, não pelo método”, afirma a especialista.

Álcool não bloqueia o efeito hormonal

De acordo com a médica, não existe evidência científica de que o álcool reduza diretamente a ação hormonal da pílula, do adesivo ou do anel vaginal. Contudo, o risco aumenta quando o consumo compromete a regularidade do uso.

Por exemplo, dormir fora de casa, perder o horário habitual, pular doses ou tentar compensar comprimidos sem orientação médica são situações comuns após noites de bebida. Assim, quando esses erros acontecem, a proteção contraceptiva diminui de forma significativa.

Vômitos e diarreia exigem atenção redobrada

Além disso, o mal-estar gastrointestinal representa um dos principais riscos.

Se a mulher vomitar pouco tempo depois de ingerir a pílula, o organismo pode não absorver o hormônio. Nesse caso, a situação equivale a uma dose esquecida. Da mesma forma, episódios intensos de diarreia também reduzem a absorção.

“Nessas situações, é prudente considerar que houve falha do método e usar proteção adicional por alguns dias. Dependendo da fase da cartela, pode ser necessário contraceptivo de emergência”, orienta Lisieux.

Não existe “dose segura” para evitar falhas

Segundo a ginecologista, cada organismo reage de maneira diferente ao álcool. Portanto, o fator mais importante não é a quantidade ingerida, mas sim o impacto na rotina.

Se a bebida provocar atrasos, enjoo ou esquecimento, o risco aumenta. Por isso, estratégias práticas fazem mais diferença do que tentar estabelecer um limite exato.

Entre as recomendações estão:

  • Colocar alarme no celular;
  • Levar a pílula na bolsa;
  • Escolher um horário fixo e fácil de manter, mesmo em dias de festa.

Qual método sofre mais impacto?

O efeito indireto do álcool varia conforme o tipo de contraceptivo.

  • Pílula: apresenta maior risco de falha, pois depende do uso diário e da absorção intestinal.
  • Adesivo e anel vaginal: reduzem o risco de esquecimento, porém falham se a usuária fizer trocas fora do prazo.
  • Injeção: mantém alta eficácia quando aplicada nas datas corretas.
  • Implante e DIU hormonal: oferecem maior segurança na prática, já que não dependem da rotina e não sofrem influência de vômitos ou diarreia.

“Durante períodos como Carnaval, viagens e festivais, os métodos de longa duração costumam oferecer mais proteção porque eliminam o fator humano”, destaca a médica.

Bebida pode intensificar efeitos colaterais

Além das falhas contraceptivas, o álcool pode piorar sintomas como náuseas, dor de cabeça, tontura e mal-estar, especialmente no início do uso hormonal.

Além disso, o consumo frequente e excessivo sobrecarrega o fígado, responsável pelo metabolismo dos hormônios. Embora isso não reduza diretamente a eficácia do método, pode afetar o equilíbrio hormonal e o bem-estar geral.

Erros mais comuns após festas

No consultório, os relatos se repetem após grandes eventos. Entre os principais erros, aparecem:

  • Esquecimento ou atraso da pílula;
  • Vômitos após a ingestão;
  • Tentativas de compensar doses sem orientação;
  • Troca incorreta do adesivo;
  • Uso inadequado do anel vaginal;
  • Confiança exclusiva no anticoncepcional, sem preservativo.

Além do risco de gravidez, aumenta também a exposição às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Quando usar proteção extra?

Sempre que surgir dúvida sobre a eficácia do método, a mulher deve adotar proteção adicional.

As principais situações incluem:

  • Esquecimento da pílula;
  • Atraso significativo;
  • Vômito após a ingestão;
  • Diarreia intensa;
  • Falhas no adesivo ou no anel.

Nesses casos, recomenda-se o uso de preservativo por pelo menos sete dias. Dependendo da fase do ciclo, pode ser necessário recorrer à contracepção de emergência.

Como reduzir riscos em períodos de festa

Para aproveitar eventos sem comprometer a proteção, a ginecologista orienta:

Manter alarme fixo, levar o anticoncepcional consigo, escolher horário estratégico, evitar beber em jejum para reduzir náuseas, tratar vômitos e diarreia como alerta e considerar métodos de longa duração se a rotina costuma ser desorganizada.

E, sobretudo, usar preservativo — o único método que protege contra gravidez e ISTs ao mesmo tempo.

Fonte: Redação

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