Foi sepultado, em dezembro de 2025, o corpo de Tainara Souza Santos que morreu após ficar internada por 25 dias. Ela foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-ficante na Marginal Tietê, em São Paulo. Esse fato horrível simboliza não apenas um ato isolado, mas a realidade brutal enfrentada por muitas mulheres em nosso país.
Infelizmente, os números recentes mostram que a violência de gênero segue sendo uma das faces mais graves da desigualdade no Brasil.
Neste ano, foram mais de 1.000 mortes registradas até novembro e mais de 2.700 tentativas de feminicídio, isso nos vários contextos de violência doméstica, familiar ou por discriminação relacionada ao gênero. Um recorde histórico dos últimos anos.
Entendam que esses dados não podem ser apenas estatísticas nas páginas de relatórios.
Eles representam vidas interrompidas, famílias despedaçadas e um grito urgente por mudanças profundas na forma como educamos nossos filhos, a forma como ensinamos sobre respeito e a forma como a sociedade lida com a violência de gênero.
Precisamos ensinar nossos meninos a nunca agredir uma mulher – física ou psicologicamente – e ensinar nossas meninas a nunca aceitar, justificar ou perdoar uma agressão.
Isso começa em casa, na escola e em todas as nossas relações.
Promover a educação, empatia e igualdade é uma tarefa diária e só assim construiremos um futuro em que nenhuma mulher tenha que viver com medo ou perder a vida por causa do machismo e da chamada ‘autoridade masculina’.
A responsabilidade é de todos nós: pais, família, sociedade e Estado. O silêncio não protege ninguém – ao contrário, perpetua a violência.

Ana Gabriela Luiz
Jornalista e Diretora do Portal Viva Anápolis



