Veja quais são as 10 piores cidades para morar no Brasil

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Um levantamento baseado no Índice de Progresso Social (IPS) apontou as 10 piores cidades para se viver no Brasil em 2025. A metodologia, desenvolvida pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard, serviu de base para o estudo elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Desde já, o ranking chama atenção por expor desigualdades estruturais profundas e, ao mesmo tempo, por revelar realidades marcadas por isolamento, precariedade de serviços públicos e impactos ambientais severos, especialmente na Amazônia Legal.

Como o índice foi calculado

O IPS avalia 57 indicadores que envolvem saúde, educação, saneamento, segurança, direitos e métrtricas ambientais. Dessa forma, a pontuação, que varia de 0 a 100, reflete resultados concretos e, portanto, não considera apenas investimentos anunciados ou promessas de governo. Além disso, o Imazon explica que o levantamento busca indicar, de maneira clara, onde o poder público falha e, consequentemente, onde ações emergenciais precisam ocorrer com maior rapidez.

Assim, o relatório reforça que o desenvolvimento econômico, por si só, não garante qualidade de vida. Inclusive, ao comparar municípios turísticos ricos com cidades pequenas que conseguiram avançar por meio de uma gestão mais eficiente, o estudo demonstra que políticas públicas bem direcionadas podem, de fato, alterar realidades locais.

Amazônia concentra as piores posições

Conforme os dados divulgados, as dez últimas posições do ranking concentram-se em municípios dos estados de Roraima e Pará. Isso acontece porque essas regiões enfrentam, há décadas, problemas relacionados à regularização fundiária, ao avanço do garimpo ilegal, à violência, ao desmatamento e, sobretudo, à ausência de serviços básicos. Como resultado, grande parte da população convive diariamente com precariedade extrema, poucas oportunidades econômicas e alto risco social.

As 10 piores cidades para morar no Brasil em 2025

1º — Uiramutã (RR)
Localizada na fronteira com a Venezuela e considerada a cidade mais ao norte do país, vive em isolamento extremo. Por esse motivo, faltam serviços essenciais e a economia funciona majoritariamente em regime de subsistência.

2º — Alto Alegre (RR)
Apresenta déficit grave de saúde e saneamento e, ao mesmo tempo, registra conflitos em áreas indígenas, além de sofrer forte pressão ambiental.

3º — Trairão (PA)
Convive com criminalidade rural e crimes ambientais, especialmente relacionados à exploração ilegal de madeira. Além disso, enfrenta energia instável e infraestrutura limitada.

4º — Bannach (PA)
Possui uma das menores populações do país e, consequentemente, quase não recebe investimentos. Dessa maneira, saúde e educação funcionam de forma extremamente limitada.

5º — Jacareacanga (PA)
Fica próxima a áreas de garimpo ilegal e, por isso, enfrenta degradação ambiental e violência. Ainda assim, os serviços públicos não conseguem atender sequer às necessidades básicas da população.

6º — Cumaru do Norte (PA)
Sofre com disputas por terra, problemas fundiários e uma economia dependente da pecuária. Por consequência, o desenvolvimento local segue travado.

7º — Pacajá (PA)
Registra violência urbana e rural e, além disso, enfrenta falta de saneamento, déficit escolar e alta incidência de crimes ambientais.

8º — Uruará (PA)
Apresenta altas taxas de desmatamento e conflitos fundiários que comprometem a região. Ao mesmo tempo, serviços básicos seguem escassos e a economia agrícola apresenta dificuldades para avançar.

9º — Portel (PA)
Depende majoritariamente de acesso fluvial e, portanto, enfrenta dificuldades logísticas constantes. Enquanto isso, saúde e educação permanecem precárias e as oportunidades de emprego seguem limitadas.

10º — Bonfim (RR)
Localizada na fronteira com a Guiana, sofre com fragilidade econômica e infraestrutura urbana deficiente. Além disso, o município depende fortemente de repasses federais para manter serviços básicos.

Ferramenta deve orientar políticas públicas

O IPS 2025 reforça que a desigualdade brasileira possui caráter territorial e estrutural. Dessa maneira, o índice funciona como um verdadeiro “mapa de urgências” para gestores públicos. Ao revelar territórios em situação crítica, o levantamento aumenta a pressão sobre o poder público e, ao mesmo tempo, reforça a necessidade de políticas de longo prazo, principalmente na Amazônia Legal, onde a ausência do Estado e os crimes ambientais caminham lado a lado.

Fonte: Redação

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