O pastor Elias Cardoso afirmou, durante culto realizado na segunda-feira (16), que integrantes da escola de samba Acadêmicos de Niterói poderiam enfrentar “câncer na garganta” após a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração, feita um dia depois do desfile no Sambódromo, provocou forte repercussão nas redes sociais e também entre lideranças religiosas.
Segundo o líder religioso, a apresentação desrespeitou símbolos da fé evangélica. Em tom crítico, ele declarou que “a hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, vão lembrar com quem mexeram”. Apesar disso, acrescentou que não defende medidas judiciais ou agressões físicas, mas afirmou que a resposta viria por meio da oração e do que chamou de “justiça divina”.
Repercussão e nota de repúdio
Logo após a divulgação do vídeo, a fala passou a circular amplamente nas redes sociais. Como consequência, o episódio ampliou o debate sobre intolerância religiosa, liberdade de expressão e os limites do discurso político-religioso.
Além disso, a OAB-RJ classificou o caso como “intolerância religiosa” e divulgou nota de repúdio. A entidade destacou a importância do respeito à diversidade de crenças e manifestações culturais, especialmente em eventos de grande visibilidade pública.
Quem é Elias Cardoso
Elias Cardoso preside a Assembleia de Deus Ministério de Perus (AD Perus), denominação com forte presença em São Paulo. Ao longo dos últimos anos, ele adotou posicionamentos alinhados ao campo conservador e, inclusive, manifestou apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Além disso, em outras ocasiões, o pastor criticou partidos de esquerda e associou disputas políticas a embates espirituais, reforçando o discurso conhecido como “guerra cultural” entre setores religiosos e manifestações artísticas.
Carnaval, política e polarização
A homenagem a Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói reacendeu discussões sobre religião e política no Brasil. Por um lado, o Carnaval historicamente incorpora críticas sociais e sátiras políticas; por outro, líderes religiosos conservadores frequentemente questionam esse tipo de manifestação.
Dessa forma, o episódio evidencia, mais uma vez, como temas religiosos e políticos continuam profundamente entrelaçados no debate público brasileiro, especialmente em períodos de maior polarização.
Fonte: Redação
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