“Anápolis precisa voltar a crescer”, afirma o deputado Márcio Corrêa

No Brasil, o governador Ronaldo Caiado tem levado lucidez à discussão da reforma tributária. Tal como foi aprovada pela Câmara dos Deputados e enviada ao Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) afronta o pacto federativo, prejudica os municípios goianos, não oferece clareza quanto ao imposto a ser pago pelo contribuinte e acaba com os incentivos fiscais. Em Brasília, tenho somado esforços na luta que o governador lidera na defesa dos interesses de Goiás.

Para Anápolis, a perda de arrecadação do município é apenas uma das ameaças à economia local, que está perdendo o posto de segunda maior do Estado. O alerta trazido em reportagem do jornal O Popular (“Aparecida pode ser o 2º PIB goiano”), mostra que a produção de riquezas da cidade vem perdendo distância para a terceira colocada.

De 2010 a 2020, a diferença do Produto Interno Bruto (PIB) entre os dois municípios recuou de R$ 5,252 bilhões para R$ 430,7 milhões. Os dados indicam tendência de que, de 2021 para cá, Anápolis já tenha perdido a posição antes ocupada, atrás apenas da capital.

A pandemia, todos sabemos, trouxe prejuízos econômicos globais, mas os resultados da série do PIB dos municípios goianos de 2019 já sinalizavam para a queda de participação de Anápolis, sobretudo na atividade industrial, enquanto Goiânia e Aparecida, naquele ano, registravam alta no setor.

Há anos a gestão atual de Anápolis flerta com a promessa de um polo industrial municipal e ensaia, às vésperas do fim do segundo mandato, tirar o projeto do papel. Enquanto isso, Aparecida comemora a chegada do nono distrito industrial com capacidade para 200 empresas e um polo aeronáutico.

Os dois projetos de lei que apresentei desde que assumi o mandato de deputado federal, há menos de um mês, têm foco no desenvolvimento socioeconômico: um deles incentiva a contratação de mulheres vítimas de violência doméstica beneficiando a empresa contratante com redução de 60% das alíquotas do FGTS e da contribuição previdenciária dessas trabalhadoras – conjuga, portanto, o enfrentamento à violência contra a mulher com o estímulo à geração de empregos.

Além desse projeto, a proposta de criação de uma rota gastronômica de Goiânia a Brasília, na região perimetral da rodovia BR-060, tem por objetivo fortalecer o turismo da região, valorizar as tradições culinárias e impulsionar a economia local, fomentando novos empreendimentos e a expansão dos já existentes com possibilidade de participação em programas do governo e parcerias público-privadas.

É apenas um começo, mas não substitui o vácuo de um plano que, de fato, mobilize esforços da administração do município em torno do compromisso real de executar um projeto de futuro que reafirme a vocação industrial da cidade, como foi vislumbrado há mais de quatro décadas, quando o DAIA foi criado. Anápolis precisa voltar a crescer, retomando o protagonismo que nunca deveria ter perdido. (artigo publicado originalmente em O Popular em 01/09/2023)

 

Márcio Corrêa – é deputado federal (MDB-GO), empresário e cirurgião-destista

Quer receber em primeira mão nossas principais notícias e reportagens?

Mais lidas

da semana

Fique por dentro

Confira também