Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras mostram que internações por queimaduras com álcool 70% subiu no país todo. Desde o dia 19 de março até o dia 12 de agosto, já foram contabilizadas 497 internações por queimaduras deste tipo. O alerta é que independe a forma do álcool, tanto o líquido, quanto o gel pode causar problemas.

Goiás figura neste terrível ranking como o segundo lugar, com 107 registros de internações, perdendo somente para São Paulo, que teve 141. Outros estados que aparecem com maior número de casos são Pernambuco (63), Mato Grosso (34) e Minas Gerais (20).

Segundo aponta a diretora clínica do Pronto Socorro para Queimaduras, Mônica Sarto Piccolo, para a faixa etária de 36 a 54 anos, houve aumento de 10% neste tipo de ocorrência desde março na unidade.

O aumento é explicado principalmente pelo aumento de uso do álcool gel, usado para se proteger do coronavírus. Assim, muitas vítimas acabam passando o produto pelo corpo, não só nas mãos. Ao passar perto de chamas correm um risco sério de serem queimadas.

Segundo Mônica Sarto Piccolo a queimadura provocada por álcool é muito profunda, chegando a terceiro grau. Ocorre ainda de a vítima aspirar o ar aquecido causando complicação pulmonar. “Em vários lugares as pessoas borrifam álcool líquido. Nas outras faixas etárias o aumento foi pequeno. Nas crianças de 5% para 8% o aumento foi pequeno em comparação com os adultos”, informa.

Fogo azul

A médica alerta ainda que o fogo gerado pela combustão do álcool em gel não é muito visível, de coloração azul, diferente do fogo mais comum de coloração amarela. O que pode causar acidentes graves.

“As pessoas levam dentro do bolso. Isso é perigoso, cai uma faísca e causar uma queimadura queimadura. Tivemos acidente que morreu a família toda. Estavam com 5 litros de álcool em gel do lado da churrasqueira. Achando que não seria inflamável, mas demora um pouco mais devagar, mas explode do mesmo jeito que o produto comum”, alerta.